Calenda

Rudimentol Records 2006
(RUD CD004)

Each track was created and produced by the authors.
Project developed by Miguel Feraso Cabral and Pedro Alçada.


01 JANUARY - "FXMistpitched" - F.Leote
02 FEBRUARY - "nalalana" - nalalana
03 MARCH - "Tree Threes" - Guilherme Proença
04 APRIL - "Apre" - Miguel Feraso Cabral
05 MAY - "Melodiless Music From a Musicianshipless..." - Rodrigo Magalhães
06 JUNE - "edit2" - Iff+Travassos
07 JULY - "Give Them Proportion and Time" - Paulo Razoável + João Matos
08 AUGUST - "Wheeled Will" - Frango
09 SEPTEMBER - "September" - Miguel Leiria Pereira
10 OCTOBER - (untitled) - Pedro Alçada
11 NOVEMBER - "Deai" - João Silva + Carlos Santos (feat. Pedro Roxo, Etsuko Kimura)
12 DECEMBER - "Suddendly Death Cames on December" - Emídio Buchinho



Reviews


CALENDA


Portugal has been the birthplace of some of the most inquisitive musicians and intelligent realities in Europe for several years now, and "Calenda" is a great example of these minds' ingeniousness, its value even higher considering that a compilation of mostly little known artists is usually chock full of highs and lows. Not so for this one, which was realized by Rudimentol's boss Miguel Cabral and Pedro Alçada, both also contributing with a track; twelve segments, one for every month of the year - hence the record's name - show the ability of the involved soundscapers in their respective field of action, with the accent on electroacoustic collages (Joao Silva & Carlos Santos, IFF & Travassos being among the best) often born from home and field recordings later modified via laptop.

The good news is that all the pieces, either one likes them or not, possess individual features and don't sound like discarded remnants, which is usually the case in many similar projects. A couple of oddities are thrown in for good measure, like symbols of a polite dissent: Rodrigo Magalhaes' digital-delayed TV set paired with a vacuum cleaner, Pedro Alçada's low-budget fake electro-disco, Cabral's genreless multitracked solo improvisation. From different fronts, Nalalana's electronics create amorphous sequences of semi-static space music and harsh noise, while Frango presents a pale spiral of superimposed guitar manipulations over calmer bass and drums. Yet, deep in my heart my preference goes to Miguel Leiria Pereira's "September", a splendid and concise mixture for two double basses and environmental sounds whose perfect balance between lyricism, freedom and musique concrete makes the track shine at the top of an anthology that's consistently excellent in every aspect.

Massimo Ricci, in Touching Extremes - mar 2007


CALENDA


No seu quarto lançamento, a Rudimentol, um selo português dedicado à edição de música experimental, apresenta uma proposta curiosa: um calendário abrilhantado com as visões de diversos artistas sobre cada mês do ano, um qualquer ano não identificado e por isso aberto à imaginação. E fá-lo convidando evidentemente doze artistas, de mundos artísticos e raios de acção distintos: F.Leote, nalalana, Guilherme Proença, Miguel Cabral, Rodrigo Magalhães, Iff e Travassos, Paulo Razoável e João Matos, Frango, Miguel Leiria Pereira, Pedro Alçada, João Silva e Carlos Santos e Emídio Buchinho. Elenco de luxo para uma produção de baixo custo. Importantíssima desde logo pela escassa edição em CD de música neste tipo de campos em Portugal.

Janeiro começa com uma paisagem aparentemente campestre, com pássaros e cães, mas transforma-se rapidamente numa situação urbana onde o caos é apresentado por sirenes e máquinas, pelo noise. Esta é pelo menos a visão de F.Leote, conseguida através de um computador, samples e três leitores de CDs, aplicando-lhes uma regra matemática simples. Fevereiro continua com o noise como denominador comum pelas mãos de nalalana; no final vertiginosos e hipnóticos raios de melodia conseguem penetrar na teia ruidosa construído a principio. Enquanto que em Março Guilherme Proença explora o laptop e o violoncelo em Paris, Miguel Cabral utiliza percussão, guitarra, baixo, violino e especialmente piano para fazer de Abril um mês de interesses mil.

A pintura de Maio coube a Rodrigo Magalhães, que aqui explorou a televisão, efeitos de delay e um aspirador, intento descrito como "melodyless music from a musicianshipless non-musician for non-melomaniacs". Cabe alguma beleza nestas explorações da vida real. Junho e Julho são meses de explorações "digitais" consistentes no caso de Iff + Travassos na primeira, e mais abertas no caso de Paulo Razoável + João Matos, muito por culpa das field recordings que aqui grassam. Em Agosto tomam posse os Frango para um dos testemunhos mais interessantes de Calenda, arrancado à força de percussão, baixo e guitarra. A participação dos Frango é ao mesmo tempo cristalina, levemente circular e ritualista e desafiante. Quase oito minutos de uns Frango no seu melhor.

Setembro é o espaço em que Miguel Leiria Pereira se movimenta. Escolheu fazê-lo com um contrabaixo unido a field recordings que recolhem a noite e o som da água. A pureza e beleza da exploração de Miguel Leiria Pereira faz de Setembro um mês ainda mais apetecível. Outubro é o mês de Pedro Alçada e de overdubs em volta de guitarra, flauta, percussão e electrónicas. Infelizmente o resultado é menos interessante daquilo que os seus elementos poderiam fazer prever. João Silva e Carlos Santos chegam a Novembro com um tema baseado num poema não publicado de António Ramos Rosa, espaço para se fazerem ouvir a electrónica, field recordings, um contrabaixo fugidio e a voz de Etsuko Kimura, em tradução japonesa. As ambiências ponderadas e intimistas deste tema revelam-se ricas e sugestivas a cada canto.

Dezembro chega com dedicação ao inolvidável Derek Bailey assinada por Emídio Buchinho. Em pouco mais de três minutos o músico aproveita a energia de sinos chineses, guitarra acústica (quase inaudível), field recordings, do relinchar inconfundível do ebow em cordas e de outros sons apreciáveis. Emídio Buchinho fecha de óptima forma uma compilação essencial para saber o que vai nas entranhas da música feita por portugueses, aquela que se não vê ou ouve falar por aí. É uma das mais recentes e evidentes provas que Portugal é um país recomendável para presenciar e testemunhar música experimental.

André Gomes, in Bodyspace - mar 2007


CALENDA


No cair do pano sobre 2006, eis mais um grande lançamento da Rudimentol Records - isto para quem já se esqueceu do fabuloso "Quarto Escuro" de The Nevermet Ensemble, de 2005. O conceito é o de um calendário sobre o qual vários autores se expõem musicalmente, apresentando-nos a sua visão sobre o seu mês.

O espectro sonoro é alargado, e "da electrónica, passando pelos instrumentos convencionais, eléctricos e acústicos, até à samplagem ou às gravações de ambientes, tudo cabe neste calendário" (Rudimentol Records) - ou uma louca aventura experimental. Com o ano de 2006 nas lonas, "Calenda" parece ser o amigo perfeito para os meses do novo ano que se avizinham...o alinhamento não engana...nem o resultado final! Grande lançamento.

Rui Dinis, in A Trompa - dec 2006


CALENDA


Uma peça musical para cada mês do ano, é o que propõe "Calenda", compilação que tira o pulso à presente música experimental portuguesa. A mostra é variada, ainda que a electrónica / electroacústica esteja em primeiro plano, o que faz todo o sentido tendo em conta os diferentes "backgrounds" dos músicos e artistas sonoros envolvidos, provenientes do rock, do jazz, da improvisação, da clássica e em alguns casos até de fora da música, e designadamente das artes visuais. Música instrumental, "field recordings", noise, "sampling", os vários tipos de abordagem do rico "underground" nacional estão representados neste sucedâneo de "Quarto Escuro", o anterior lançamento da Rudimentol Records. As peças incluídas, especialmente criadas para o efeito, não são necessariamente ilustrativas do tema, mas em alguns casos é perceptível que são glosados factores como o tempo, os elementos da Natureza e os estados de espírito provocados pelos ambientes próprios das quatro estações, ainda que de forma vaga e indirectamente implicada. Filipe Leote, Miguel Cabral, Frango, Iff + Travassos, Miguel Leiria Pereira, a dupla João Silva / Carlos Santos e Emídio Buchinho assinam as faixas mais interessantes.

NL AnAnAnA - jan 2007

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